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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

VIOLÊNCIA E FUGA


Violência e Fuga 

     A violência do sistema escravista gerou a revolta do negro. A desconfiança e o medo caracterizavam, reciprocamente, as difíceis relações entre senhores e escravos. Câmaras Municipais disciplinavam, minuciosas, várias proibições.  A Resolução nº 536, de 12/7/1858, do Presidente João Darney de Avelar Brotero, aprova as Posturas da Vila da Lagoa Vermelha (atual Boquim), que proibiam a venda de pólvora a escravos (art. 31) e não permitiam que eles vendessem açúcar “sem ordem por escrito do seu senhor” (art. 40).
    Os negros, vítimas maiores de todas as calúnias. É o caso da chamada Rebelião dos Pardos, em Brejo Grande. Difundiu-se a notícia de que os negros planejavam eliminar todos os brancos no dia de Natal. A notícia chegou ao conhecimento do governo, motivando em 12/12/1827 sessão do Conselho da Província. O Conselho, naquela altura desesperado, chegou a pedir o apoio da igreja para enfrentar e resolver o grave problema. Resultado, não houve rebelião, ninguém foi eliminado, a Província em geral, Brejo Grande de modo particular, viveu tranquila o seu Natal. Destruía-se mais uma calúnia dos brancos escravistas.
     O cativo enfrenta, em todos os lugares e momentos, a agressividade de seus donos ou senhores. A consequência são os levantes e, mais generalizadamente, as fugas. Em 1884, 36 escravos se revoltam e participam de rebelião em Itaporanga, eliminando o feitor do Engenho Parati. Repete-se, em outros pontos da Província, iguais e violentas sublevações.
     O escravo fugia, especialmente das fazendas e engenhos, formando quilombos que se estendiam do Litoral ao Sertão. Já em 1601, escreve Felte Bezerra, os negros resistem aos castigos e perseguições dos seus senhores. Edson Carneiro adianta que o Capitão-mór Fernão Carrilho, antes de ser chamado para combater nos Palmares (1687-1709), tinha destroçado mocambos de negros na Capitania de Sergipe, amando, a partir de 1670, do Governador do Brasil, Alexandre de Souza Freire. A palavra mocambo, nome de povoado do atual Município de Frei Paulo, significa casa do quilombo.
     Os negros formavam quilombos ou vagavam à toa, famintos, desesperados pelas matas que cobriam a maior parte do território sergipano. Uns não resistem aos sofrimentos, regressam “procurando padrinhos ou pessoas que os compre”. Outros seguem em frente conduzidos  pelo sofrimento transformado em ódio. Perseguidos, aterrorizados, cabia-lhes, nessa sobrevivência agoniada, a autoria de violências, mas o escravo não é autor e personagem único dessas indesejadas ilicitudes.
     Os escravos fugiam e constituíam quilombos. Porém não descansavam, procurados e perseguidos, dia e noite, pelas autoridades e alguns senhores. Não eram todos que se prestavam a este papel ingrato, alguns senhores chegavam a proteger os cativos fugidos.
     As prisões e perseguições não param. Os escravos fugiam, resistiam, sofriam. Não tinham opção: de um lado o castigo do senhor, do outro, a perseguição da polícia. Eles não se entregavam. Preferiam morrer lutando. Lutavam. Morriam. Os sobreviventes contavam a história. Os cativos, de certo modo, viviam mortos, morriam vivendo. Os quilombos, a esperança, eram uma possibilidade do viver livre, promessa da vida possível. As rebeliões geradoras dos quilombos não eram, ao contrário do que pensava Nina Rodrigues, guerras santas, religiosas, mas a presença e a reação do homem, afirmação de classe, lutas de classe bem definida – diz João Ribeiro.
     Mas os negros, depois da Abolição e da República, continuaram hostilizados, segregados da sociedade oficial. Pequenos incidentes e até mesmo crimes planejados por monarquistas ressentidos, inconformados, eram não raro atribuídos aos antigos escravos. Jornais da época registram frequentes incêndios de canaviais, dedos endurecidos apontando para os negros inocentes. Tais crimes, na verdade, eram insuflados ou manipulados por monarquistas saudosistas, forma, certamente, de eles manterem os escravos então livres envolvidos num clima de permanente desconfiança e suspeita.
















Fonte: Figueiredo, Ariosvaldo. O Negro e a violência do branco: o negro em Sergipe | prefácio de Clóvis Moura |  Rio de Janeiro, J. Álvaro, 1977. 120 p.



Priscila Tintiliano. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Herói Negro Sergipano


    JOÃO MULUNGU, NEGRO LIBERTÁRIO, último e o mais sagaz líder dos quilombos de Sergipe D’EL Rey, nascido nas senzalas do engenhos Flor da Roda, em Laranjeiras, no ano de 1851 (presumível), escravo de propriedade de João Pinheiro de Fraga, dono do Flor da Roda.
     João Mulungu, amplamente citado por diversos historiadores, inclusive pelo brasilianista Robert Conrad, como o mais importante defensor da causa negra, na luta contra a escravidão, além de entre outras citações, a cognominação de Zumbi Sergipano.
     Dentre os companheiros de João Mulungu, no ato da revolução escrava em Sergipe, destaca-se: Manoel Jurema, Pedro, Quirino, Galdino, dentre outros.
     Acredita-se que desde os anos 60 que João Mulungu fazia parte dos grupos revolucionários, tendo em vista que Laranjeiras era tida e havida como o berço das ideias progressistas e revolucionárias de Sergipe, palco, portanto, da difusão dos pensamentos humanistas e d as ações liberais como prática de liberdade, além de ter o maior e mais complexo contingente de negros em Sergipe, provenientes de diversas tribos e nações, combinada com as pressões internas a favor do abolicionismo, no que pese o apartheid imposto pela Igreja através das irmandades.
     O quilombo predatório ou de estrada, como estratégias externas dos antigos quilombos africanos, foi o instrumento mais utilizado por João Mulungu, pois a intinerância servia como cortina de fumaça contra os batalhões da polícia em perseguições constantes. A tônica libertária como objetivo meta, propiciou, em diversos levantes, liberdade através das fugas, a milhares de escravos, além de fortalecer o contingente em todos os municípios de Sergipe, como ponto de abrigo e apoio estratégico.
     Ao longo de sua trajetória à frente da revolução escrava, sua liderança foi sempre contestada pelo sistema e pelo poder, que sempre se esmeraram para tê-lo como troféu, na batalha de manutenção do poder.
     Suas técnicas, amplamente identificadas e utilizadas pelo sistema contra opositores e, após a execução dos atos, declinavam a autoria a João Mulungu; foi assim por muito tempo que o governo provincial, deu combate aos seus opositores políticos.
     Por traição de um dos escravos do Flor do Roda, de nome Seberino,  João Mulungu, foi capturado, coincidentemente nas terras do  Engenho em que nasceu e evadiu-se quando descansava com seus companheiros à sombra dos bananais. Às 12 horas do dia 19 do janeiro, em Laranjeiras, e imediatamente conduzido ao quartel de Divina Pastora sob guarda do capitão João Batista da Rocha Banha, comandante da diligência.
     No afã de notoriedade e na pressa em divulgar o ato e sobressair no cenário nacional, o governo provincial dava dimensão ao caso em seus Relatórios à Assembléia Provincial, de 1º de janeiro, fevereiro e março, chegando  a afirmar em relatório de 1º de março, que “Pode ter 25 anos mais ou menos, é crioulo, de estatura regular, e como bem o qualificam ‘um pouco ladino e insinuante, resignado hoje com a sua sorte, preferindo contudo ser enforcado na praça pública a voltar para casa do seu senhor’”. Em outro documento, o próprio governo afirma que João Mulungu, “...o mais forte elemento da resistência, o calhambola João Mulungu, e todos dizem ser o mais audaz, o chefe dos escravos fugidos, foi capturado no dia 13 de janeiro corrente...”.
     Efetivamente o presidente da província, João Ferreira de Araújo Pinho, iniciou toda uma manipulação em torno do nome de João Mulungu, divulgando sua morte, quando na verdade desde 1835 não poderiam mais enforcar escravos no Brasil e diversos documentos, mesmo confusos, demonstram que até dezembro João Mulungu estava vivo, sendo transferido de cadeia em cadeia, sendo inclusive, condenado a um ano de galés, enquanto seu companheiro Manoel Jurema era condenado à pena máxima. Efetivamente, João Mulungu foi uma presa preciosa nas mãos do governo, que, querendo mostrar serviço, declara extintos os quilombos em Sergipe, com a prisão e morte de João Mulungu, o que eu na prática só fez recrudescer a ação, tendo em vista as manifestações isoladas de diversos grupos, em toda a província, até o alvorecer de maio de 1888.
     A prisão de João Mulungu e seu confinamento histórico só serviu de instrumento para promoções das autoridades que serviam ao sistema e tinham no mascaramento do negro sua meta de vida.
     A luta do negro em Sergipe, na busca da liberdade contra a escravidão, foi uma das mais tenazes e ferozes do Brasil, como também feroz foi a escravidão, onde os delírios dos senhores, tornava a escravidão ou seja os escravos, passível de qualquer penalidade, pela violência praticada. Paradoxalmente diversos senhores de engenho davam guaridas aos quilombolas, além de praticarem abertamente o tráfico interprovincial dos escravos reclamados pela justiça.
     João Mulungu, marco da resistência em Sergipe, simboliza as aspirações democráticas dos sergipanos, independente da raça ou posição econômica. Herói negro sergipano, cristalizando os anseios de liberdade do povo brasileiro em todos os momentos em que a opressão determina a ação e comportamento dos homens. Lutou, não pela sua liberdade, mas pela liberdade do seu povo, seu nome, em Laranjeiras, em Sergipe e no Brasil. Deve ser tão repeitado e reverenciado como tantos outros heróis que deram sua vida pela liberdade de sua gente, dentre eles:
     Zumbi
     Lucas Dantas
     Manoel Balaio
     Chico Rey
     Ambrósio Isidório
     João Cândido
     Manoel Congo
     Luiza Mahim
     Zeferina
     Pedro Cosme, etc.

    Seu reconhecimento oficial começou pelo Legislativo de Laranjeiras, através do Decreto-Lei 407, de 08 de agosto de 1990. Em Aracaju, através da Lei 1.856, de 14 de julho de 1992 e finalmente o Legislativo Estadual o reconhece através do Decreto-Lei  4.192, de 23 de dezembro de 1999, consagrando o 19 de janeiro como o Dia Estadual de Luta da Comunidade Negra, em honra ao Herói Negro de Sergipe: João Mulungu, que logo depois saudou Quintino de Lacerda, Herói Negro de Itabaiana sagrado em setembro de 2001, pela Lei Municipal nº 965.













Fonte: D'Acelino, Severo―Panáfrica África Iya N'la / Severo D 117 p D'Acelino―Aracaju: MemoriAfro, 2002, 169p.

Priscila Tintiliano

terça-feira, 16 de outubro de 2012

POEMA: DUAS PALAVRAS



DUAS PALAVRAS

Meu irmão
Vida de negro é difícil
Não o deixam participar
Não o deixam pensar
Não o querem falando.

Vida de negro
Meu irmão, é difícil
Como quê!
Ele se esconde
Se veste de branco
Para escapar
Para viver.

Sem ser lobo
Vestindo uma pele
Ele sofre
No silêncio da maioria
E, saber minoria.
“Invisível”.

Negro nem dormindo
descansa.
Ele pensa no amanhã
Até quando, a farsa
Quando despirá a máscara!

Ele age e milita
É duas vezes agredido
Solta sua revolta
E grita!

Chega de mágoa, é preciso lutar
E luta!
Pelo que não fez
Pelo que vai fazer
É sempre em dose dupla
A sua afirmação

Meu irmão
Como é duro e difícil
A vida de negro
Mas aqui para nós
Sem masoquismo
Ser negro...é bom demais.














Fonte: D'Acelino, Severo―Panáfrica África Iya N'la / Severo D 117 p D'Acelino―Aracaju: MemoriAfro, 2002, 169p.


Priscila Tintiliano






segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PANÁFRICA, ÁFRICA IYA N'LA


PANÁFRICA, ÁFRICA IYA N’LA
   

    A ideia do Panafricanismo nos remete à saga do genocídio do continente africano. A diáspora homicida.
    No sentido de manutenção das raízes, implica no pensamento da matriz cultural e assegurar o pensamento, o sentimento da complexidade material e espiritual, de todo o grupo étnico, arrancado do continente com a escravidão e espalhado pelo mundo.
    O panafricanismo, através do depoimento de Abdias Nascimento nos conduz ao espírito político na resistência dos afros em todos os quadrantes, na postura universal dos direitos de ancestralidade e participação da comunidade negra nas decisões das soluções dos seus problemas.
    Teoria e prática da unidade do mundo africano, sem nenhuma conotação racista a unidade baseia-se na comunidade dos fatos históricos, na herança cultural e na identidade de destino em face do capitalismo, do imperialismo e do colonialismo.
    Reivindica o Panafricanismo a unificação do mundo africano, aliança concreta e progressista com a diáspora unida.
    No Brasil, a ideia e prática do Panafricanismo está registrada através dos diversos movimentos sociais, políticos e culturais, onde o negro é protagonista, através das resistências, nos candomblés, ponto de irradiação da cultura afro; quilombos, rurais e urbanos; escolas de samba e outras manifestações sociais e culturais dos movimentos reivindicatórios das entidades negras em que revivendo uma tradição em busca de resgatar a identidade, mantém uma luta ligada intimamente à terra original, onde os negros espalhados em todo território mantém, apear das dificuldades de comunicação imposta pelo sistema e pela pobreza, contatos que lhe são possíveis com o mundo africano e a luta negra internacional.
    O dado mais significativo em torno do movimento panafricanista, nos remete à saga da Rainha Ginga e ao trabalho de Marcus Garvey, e, evidentemente, Zumbi dos Palmares.
    Em Sergipe― após o movimento histórico de libertação, através das ações dos líderes quilombolas, em que se destacou a figura de JOÃO MULUNGU, covardemente assassinado pelo sistema escravista dos senhores de engenhos, em janeiro de 1876―, o resgate de sua memória e seu lugar na história, inclusive Sergipe no Panafricanismo e a luta pela identidade e dignidade dos afro-sergipanos.
    Hoje, após mais de cem anos da chamada abolição, a luta ainda é pela identidade e participação e do reconhecimento do negro; assinalando a importância social e política das culturas afro-sergipanas:
·         
  •      assinalando a lamentável condição do negro em Sergipe;
  •           assinalando que o linchamento social é pior que o linchamento físico;
  •          assinalando o racismo mascarado em Sergipe;
  •          assinalando que o negro continua escravo;
  •          assinalando que o negro continua sendo objeto de estudos;
  •          assinalando que o negro não é selecionado e preferido para as mais baixas ocupações;
  •          assinalando que ao negro não é dada condição de participar das decisões para solução dos seus problemas;
  •          assinalando que o negro continua sendo o maior contingente de analfabetos, desempregados e marginais;
  •          assinalando o genocídio sistemático da criança abandonada e a esterilização da mulher  negra;
  •          assinalando que o negro é o maior contingente populacional dos presídios e delegacias do Estado;
  •          assinalando o racismo nas escolas e na educação em Sergipe;
  •          assinalando que a expressão “boa aparência” é a marca do racismo e da discriminação do negro no comércio e no mercado de trabalho em Sergipe.


F




Fonte:  Panáfrica África Iya N'La / Severo D 117 p D'Acelino―Aracaju: MemoriAfro, 2002, 169 p.
   




Priscila Tintiliano











f

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O ENIGMA DE PALMARES




A Guerra dos Palmares foi um dos episódios de resistência escrava mais notáveis na história da escravidão do Novo Mundo.

 Ainda que as estimativas das fontes coevas e dos historiadores sobre o número total de habitantes divirjam bastante — de um mínimo de 6 mil a um máximo de 30 mil pessoas –,não há como negar que as comunidades palmarinas, dada a extensão territorial e a quantidade de escravos fugitivos que acolheram, tornaram-se o maior quilombo na história da América portuguesa. Suas origens datam do início do século XVII,mas sua formação como grande núcleo quilombola se deu apenas no contexto da invasão holandesa de Pernambuco,quando diversos escravos se aproveitaram das desordens militares e fugiram para o sul da capitania.

As comunidades rebeldes que então se organizaram resistiram a diversas incursões da Companhia das Índias Ocidentais e, após a expulsão dos holandeses, a ataques das tropas luso-brasileiras.

Nas décadas de 1670 e 1680, os africanos, crioulos e descendentes
alojados em Palmares eram vistos pelas autoridades metropolitanas
como “holandeses de outra cor”, por conta da ameaça que representavam
à ordem colonial portuguesa na América.Sua derrota pela força das
armas só ocorreu em meados da década seguinte,após um conflito secular
com dois dos maiores poderes coloniais europeus do mundo
moderno. Antes da revolução escrava de São Domingos (1791-1804) e
das grandes revoltas abolicionistas do Caribe inglês no primeiro terço
do século XIX, o episódio de Palmares só teve equivalente na I Guerra
Maroonda Jamaica (1655-1739) e na Guerra dos Saramaca no Suriname
(1685-1762). Nesses dois casos, entretanto, os quilombolas conseguiram
vencer as tropas repressoras, forçando autoridades e senhores a
reconhecerem a liberdade dos grupos revoltosos.

A história da derrota do grande quilombo palmarino deu origem a
um enigma que há certo tempo chama a atenção dos especialistas em
escravidão brasileira: por que não houve outros Palmares na história do
Brasil? O ponto é importante,pois a atividade quilombola se ampliou no
século XVIII, com o aumento do volume do tráfico negreiro transatlântico
e a formação dos núcleos mineratórios no interior do território,
assumindo diferentes modalidades de norte a sul da América portuguesa.
Afora as numerosas comunidades quilombolas, de dimensões e
duração variáveis, o Brasil viu aparecer no início do século XIX outra
forma de resistência escrava coletiva, presente no Caribe inglês havia
bom tempo:o ciclo de revoltas africanas que agitou o Recôncavo Baiano
entre 1807 e 18353.

A resposta que os historiadores forneceram ao enigma aponta para a
mudança na legislação escravista portuguesa. Após Palmares, dizem
eles, houve uma progressiva especificação das funções do capitão-domato
— responsável legal nas diferentes localidades da América portuguesa
pela captura de escravos fugitivos — e delimitação, nas letras da
lei, do que seria uma comunidade quilombola. A institucionalização da
figura do capitão-do-mato e a definição de quilombo como qualquer
ajuntamento composto de alguns poucos escravos fugitivos teriam
tolhido, já no nascedouro, a formação de comunidades rebeldes com as
proporções de Palmares.

Fonte: Marquese, Rafael de Bivar. “A dinâmica da escravidão no Brasil. Resistência, tráfico negreiro e
alforrias, séculos XVII e a XIX”. Novos Estudos (74). Março, 2006

Priscila Tintiliano
 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Descubra a origem do nome África !


África! O que vem a significar esta palavrinha de 6 letras que na

classificação da língua portuguesa é uma palavra tónica por possuir um
acento que se pronuncia com mais intensidade; trissilábica, por possuir três
sílabas e proparoxítona, por ter o acento tónico na antepenúltima sílaba?
Eis a questão!




É de extrema importância ressaltar antes de tudo que, o nome do nosso
continente não foge à regra, pois a maioria dos nomes de países que hoje
constituem o continente negro, embora oriundos de palavras genuinamente
locais, surgiu/surgiram dos primeiros contactos dos colonizadores com as
populações autóctones. Podemos dizer, de um mal-entendido linguístico. O
nativo, indagado alguma coisa assim : Como se chama? Como se chama este
lugar? Ele, sem entender absolutamente nada, responde algo que lhe pareceu
ter sido perguntado, associando o som ouvido à palavra que conhece. E, o
inquiridor, que também desconhece totalmente a língua do aborígene e, ávido
de ter uma resposta, capta o som, balbucia a palavra e escreve de sua forma
o som ouvido sem mais nem menos. O que importa é algo registado!

A palavra África deriva de AVRINGA ou AFRI, nome da tribo Berbere que na
antiguidade habitava o Norte do continente.
Os berberes são descendentes dos antigos Númidas que habitavam a região
chamada Numídia, entre o país de Cartago e actual Mauritânia, conquistada
pelos romanos ao rei Jugurta, cuja capital era a cidade de Cirta, hoje
Constantina, na Argélia.


Os antigos romanos usavam o nome África terra, “terra dos afri” (afer no singular), para a parte norte do continente, correspondendo à moderna Tunísia. A origem do termo “afer” talvez seja a palavra fenícia “afar”, que significa “pó, poeira”; pode também ser da tribo dos “afridi”, que habitou o norte da África em torno da região de Cartago. Pode também derivar do grego “aphrike”, “sem frio”, ou do latim “aprica”, “radiante, ensolarado”.O nome África começou a ser usado pelos romanos a partir da conquista da
cidade de Cartago para designar províncias a Noroeste do Mar Mediterrâneo
africano, onde hoje situam-se a Tunísia e a Argélia. Recorda-se que Cartago
foi uma das famosas cidades de antiguidade da África. Foi fundada no séc.
VII a. C. pelos Fenícios, sob a direcção da Princesa Tiriana Dido ou Elisa,
filha de Muto, rei de Tiro, (actual cidade de Sur no Líbano) que após a
morte do seu marido Siqueu, fugiu para a África e fundou a cidade de Cartago
numa península, perto da qual se encontra hoje a cidade de Túnis, capital da
Tunísia. Em pouco tempo, Cartago tornou-se capital de uma poderosa república
marítima, substituindo-se a cidade de Tiro no Ocidente. Criou colônias na
Sicília e na actual Espanha. Enviou navegadores ao Atlântico Norte.
Entretanto, as colônias cartagineses na Sicília suscitaram vistas ambiciosas
dos romanos que cultivaram uma ferrenha rivalidade que culminou com as 3
guerras chamadas Púnicas.


No final da 2ª guerra púnica, os romanos conseguiram apoderar-se da bela e
sumptuosa cidade de Cartago, sob o comando de Cipião - o Africano, apesar
dos esforços empreendidos por Aníbal para impedir que os romanos apoderassem
dela. Cartago restabeleceu-se dessa derrota, mas foi definitivamente
destruída na 3ª guerra púnica, por Cipião Emiliano. Reconstruída pouco
depois, floresceu novamente do séc. I a VI da nossa era e foi uma verdadeira
capital da África romana. Mas, no ano 698 caiu nas mãos dos árabes e começou
a decadência.

Portanto, no século XVI, com a necessidade dos Europeus de avançarem para o
interior e para o sul do continente negro, o nome África generalizou-se para
todo o continente que passou a chamar-se de "África".

A palavra África significa também: façanha, proeza, valentia, algo difícil
de se realizar. Este segundo e pseudo significado, embora recheado de um
certo preconceito de um lado, de outro dignifica-nos como africanos, pois
mostra a nítida resistência à penetração estrangeira no interior do nosso
continente e traduz a realidade verdadeira da época. Foi dado pelos
Europeus expedicionários, principalmente os portugueses, como consequência
das enormes dificuldades que tiveram em penetrar no interior do continente.


A resistência dos nativos causava aos estranhos e indesejáveis visitantes,
baixas humanas e muitas vezes retrocediam à face das dificuldades e perigo
de serem dizimados pelo inimigo que eles mal conheciam e o pior de tudo,
conheciam mal o seu terreno.
Por isso, todos aqueles que se dispusessem a fazer parte das chamadas
expedições em África eram considerados destemidos e valorosos militares,
dispostos "a fazer uma África" isto é, a mostrar sua coragem, a
guerrearem, enfrentando o incerto ou inimigo desconhecido. Portanto, estavam
dispostos a "meter uma lança em África", que significa dizer, levar a cabo
uma empresa difícil.










Priscila Tintiliano

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

História do Cinema africano

 

                                 imagem: reprodução

Cinema Africano

Era colonial

Durante o período colonail, a África foi representada no cinema por cineastas do Ocidente. O continente era apresentado sem história ou cultura próprias. Os melhores exemplos são os épicos Tarzan, Uma aventura na África e vários adaptações de Rider Haggard para uma novela chamada As Minas do Rei Salomão.
Para muitos escritores africanos, como Chinua Achebe, assim como para os cineastas africanos,o repúdio aos estereótipos e imagens sobre os africanos foi uma importante motivação.
Nas colônias francesas, a atividade era formalmente proibida. O primeiro filme francês sobre o tema, L’Afrique sur Seine (1955), foi, na verdade, uma curta-metragem realizada em Paris por jovens estudantes africanos do IDHEC sob a direção de Paulin Soumanou Vieyra.
Antes da independência, poucos filmes anti-coloniais eram produzidos. As estátuas também morrem de Chris Marker e Alain Resnais, sobre um assalto de arte africana, que foi censurado na França por dez anos, ou Afrique 50 de René Vauthier, sobre revoltas na Costa do Marfim e em Burkina Faso, são alguns exemplos. Alguns filmes etnográficos dessa época produzidos por Jean Rouch e por outros diretores foram rejeitados por cineastas africanos porque na opinião destes a realidade africana era distorcida.

Decádas 1960 e 1970

O primeiro filme africano a ter reconhecimento internacional foi A Negra de… (A Jovem Negra), de Ousmane Sembène, que mostrava o desespero de uma mulher africana ao trabalhar como doméstica na França. O escritor Sembène se voltou para o cinema para atingir um público maior. Ele é considerado o "pai do cinema africano". O país onde ele nasceu, o Senegal, tem a produção cinematográfica mais significativa.
Em 1969, com o Festival do Cinema Africano - FESPACO, em Burkina Faso, o Cinema da África estabeleceu seu próprio fórum. FESPACO agora acontece de dois em dois anos, alternando com o Festival de Cinema de Cartago, em Cartago, na Tunísia.
A Federação dos Cineastas Africanos - FEPACI foi fundada em 1969 para promover a produção, distribuição e exibição do Cinema africano. Desde sua concepção, a FEPACI tem sido parceira de outras organizações no desenvolvimento social, político e econômico do continente africano.Então o presindente da africa decidiu criar o cinema

O soleil O de Med Hondo, filmado em 1969, foi reconhecido imediatamente. Não menos engajado que Sembène, ele utiliza uma linguagem menos formal para mostr o que significa ser ter um tom de pele "errado" na França.
A comédia Touki-Bouki de Djibril Diop Mambéty, rodado em 1973 sobre um casal de jovens em Dakar querendo viajar para Paris a qualquer custo é considerado um dos melhores filmes africanos já realizados.

Após 1980

Yeelen, feito em 1987 por de Souleymane Cissé e Guimba, feito em 1995 pelo Sheik Oumar Sissokoor, ambos de Mali, foram bem recebidos no ocidente. Alguns jornalistas especializados criticaram os diretores por adaptarem os filmes aos gostos do público ocidental.
Alguns filmes dos anos 1990, como Quartier Mozart, de Jean-Pierre Bekolo (Camarões/1992), foram situados nas metrópoles africanas globalizadas.
O primeiro ápice do cinema africano aconteceu na África do Sul, em 2006. Foi seguido pelo IX Congresso da Federação dos Cineastas Africanos - FEPACI.

obs:  Os cineastas africanos geralmente têm dificuldades de atingir seu público. As salas comerciais geralmente têm que programar e exibir primeiramente filmes de Hollywood (americanos) ou de Bollywood (indianos).No entanto, ainda há sessões reservadas, nas quais o público têm acesso a filmes africanos. A maioria dos cinestas africanos ainda dependem de instituições européias para financiar suas produções. Uma produção de Vídeo viável e consistente se estabeleceu na Nigéria, informalmente conhecida como Nollywood.

Nunca viu nenhum filme realmente africano? Quer ver?

aqui esta uma pequena lista de cineastas africanos:
  • Africa do Sul: Lionel Ngakane, Seipati Bulani-Hopa, Mickey Dube, Gavin Hood, Zola Maseko, Sechaba Morejele, Morabane Modise, Teddy Matthera, Neill Blomkamp.
  • Angola: Sarah Maldoror, Zeze Gamboa
  • Benin: Jean Odoutan, Idrissou Mora Kpai
  • Burkina Faso: Idrissa Ouedraogo, Gaston Kaboré, Dani Kouyaté, Fanta Régina Nacro, Apolline Traore, Orissa Touré, Pierre Yameogo, Sanou Kollo, Pierre Ruamba
  • Camerões: Jean-Pierre Bekolo, Bassek Ba Kobhio, Jean-Pierre Dikongué Pipa, Jean-Marie Teno, François Woukoache
  • Cabo Verde: Fernando Vendrell, Francisco Manso
  • Costa do Marfim: Desiré Ecaré, Fadika Kramo Lancine, Roger Gnoan M'Bala, Jacques Trabi
  • Congo: Mweze Ngangura, Balufu Bakupa-Kanyinda, Joseph Kumbela, Zeka Laplaine
  • Egito: Salah Abu Seif, Youssef Chahine, Yousry Nasrallah, Ezzel Dine Zulficar, Sherif Arafa, Tarek Al Erian, Atef El Tayeb, Khaled Youssef, Ali Badrakhan, Dawood Abdel Said, Magdy Ahmed Ali, Marwan Hamed, Amr Arafa, Barakat, Ehab Mamdouh, Sandra Nashat, Enas El Deghedy, Adel Adeeb, Mohamed Khan, Ehab Lamey, Shady Abdel Salam, Hala Khaleel, Khairy Beshara, Ali Ragab, Hady El Bagoury, Radwan El Kashef, Ashraf Fahmy, Samir Seif, Ali Abdel Khaleq, Nader Galal
  • Etiopia: Haile Gerima
  • Gabão: Imunga Ivanga
  • Gana: Kwaw Ansah, King Ampaw, John Akronfrah, Fara Awindor
  • Guiné: David Achkar, Gahité Fofana, Mohamed Camara
  • Guiné Bissau Flora Gomes
  • Mali: Souleymane Cissé, Cheick Oumar Sissoko, Abdoulaye Ascofare, Adama Drabo
  • Mauritânia: Med Hondo, Abderrahmane Sissako, Sidney Sokhana
  • Nigéria: Oumarou GandaOla Balogun, Eddie Ugboma, Amaka Igwe, Zeb Ejiro, Lola Fani-Kayode, Bayo Awala, Izu Ojukwu, Greg Fiberesima,Tunde Kelani, Jide Bello
  • Quênia: Judy Kibinge, Jane Munene, Anne Mungai
  • Senegal: Ousmane Sembène, Paulin Soumarou Vieyra, Djibril Diop Mambéty, Moussa Sene Absa, Safi Faye, Ababacar Samb-Makhbaram, Ben Diogaye Beye, Clarence Delgado, Ahmadou Diallo, Bouna Medoune Seye, Moussa Touré, Mansour Sora Wade, Samba Félix Ndiaye
  • Somalia: Abdisalam Aato
  • Sudão: Gadalla Gubara
  • Togo: Anne Laure Folly


Texto reproduzido de:http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema_da_%C3%81frica 



Lucas Dias

África na Moda




Desde os anos 80 a moda mundial utiliza cores, estampas coloridas e de animais, formas geométricas, pedraria e muito mais para contribuir na construção da beleza.
E esta releitura de roupas e acessórios já esta inerente em nosso cotidiano.
Vamos dar uma volta no mundo da moda?

 As estampas e Recortes



Acessórios








 
Viu como somos tão africanistas? SIIIM!!!! Até nossa moda respira África. 

TODAS AS IMAGENS SÃO REPRODUÇÕES**


LUCAS DIAS